PREÂMBULO - NOSSAS RAÍZES - MEUS PAIS -
O relato abaixo é dirigido a meus filhos, netos, sobrinhos netos e tantos quanto estejam ligados a nossas raízes. Quando editei meu "Blog" MINHAS LEMBRANÇAS" no meu perfil assinalei que todos os fatos descritos referiam-se a passagens que vivenciei no cotidiano de minha infância e juventude, não se tratando de minha história pessoal. Quando editei minha página no Orkut, através da "Comunidade Sansone" acabei por abrir uma janela para o passado, reencontrando parentes contemporâneos, e o mais emocionante, parentes descendentes que se quer sabia de sua existência. Foi muita emoção para mim e pude constatar que também esses parentes manifestaram essa mesma emoção. Sempre tenho enfatizado que é importante sabermos detalhes de nossa origem. Vários fatos, passagens, narrativas e casos nos foram passados pelos nossos parentes mais próximos, e, ficaram registrados em nossas mentes. Outros tivemos e estamos tendo a oportunidade de tê-los vivido e ou estar vivendo, com o convívio de nossos parentes ascendentes. Somos uma família de longívagos por genética e evolução da medicina. Essa longevidade nos tem dado a oportunidade de transmitir-lhes a todo momento, antigas passagens e "causus" vividos... Quando mais jovens, embora gostamos de ouvir e registrar as narrativas, não nos damos conta que fazemos parte dessas raízes, e a formação de cada um de nós é a síntese delas. O mais maravilhoso ainda é que cada um de nós, vindo dessa origem comum, tem outros e diferentes ramos de raízes, vindos do parceiro (a) que cada um escolheu para formar sua própria família. Partindo de nossos trisavós, temos 56 ascendentes...Outro fato maravilhoso é que ao gerarmos, estamos em nossos filhos nos perpetuando. Meditem sobre isso... não seria uma das evidências da existência da alma? da presença de Deus? Hoje com 78 anos fico cada vez mais convencido que cada um de nós tem uma missão, um sentido de vida, e, assim sendo não devemos nos furtar em vive-la e cumpri-la. Isso não é destino é uma proposta. Deus propõe, não impõe. Ainda, todos fiquem tranquilos por em determinados momentos terem contestado a existência da alma, de Deus - todos passamos por isso - Quando ocorrerem esses momentos, olhem nos olhos de seus semelhantes, vejam o sorriso de uma criança, a beleza de uma flor, uma tempestade... as dificuldades do cotidiano, de relacionamento...os males físicos... e muitas, muitas alegrias...Deus te deu tudo isso sem pedir nada em troca, apenas fica iluminando seu caminho...fica ao seu lado. Ainda nos dá a opção de escolha em cumprir ou não essa missão, os caminhos a percorrer para cumpri-la e ainda ter estrutura para suportar as injustiças, as posições antagónicas que acabamos tendo que enfrentar, o desprezo pelos nossos sentimentos, até chegarmos no fim da caminhada, com o sentimento de amor ao próximo e de missão cumprida.
NOSSAS RAÍZES - MEUS PAIS
Tenho narrado muitas passagens sobre o meu lado Sansone e pouco tenho mencionado sobre meu pai, o meu lado Rodrigues. O fato de meu pai ter falecido em 25 de Janeiro de 1936, quando eu tinha pouco mais de 4 anos, me privou do convívio Pai-Filho. Os poucos dados sobre Ele, foram passados por minha mãe. É essa lacuna que sempre desejei que não ocorresse com meus filhos e descendentes. Por isso, sempre repito, busquem registrar todos os detalhes de sua origem, com todas as qualidades e defeitos, pois as qualidades nos aperfeiçoam e as deficiências mostram nossas limitações. Meu pai Francisco Bruno Rodrigues, era português, nascido em Funchal, Ilha da Madeira. Veio para o Brasil ainda criança.Meus avós paternos chamavam-se João Rodrigues e Leopoldina Rodrigues. Foram seus filhos: Tia Maria, tia Conceição, tio João fh., tio José, Francisco (meu pai). Não tenho certeza, mas parece que havia mais uma filha de nome Benvinda. Era uma família com vocação para a música, pois além de meu Pai, seus irmãos, tio João e tio José, também fabricavam artigos musicais. Meu pai casou-se com minha mãe Aida Sansone Rodrigues em 1929. Tiveram dois filhos, Eunice e eu. Meu pai tinha uma "MANUFATURA DE ARTIGOS MUSICAES" Além de comercializar artigos e instrumentos musicais, fabricava cordas para violão, piano e violino, e editava partituras musicais. Iniciou sua atividade comercial na cidade de Araraquara e posteriormente transferiu-se para São Paulo. Eram afamadas as cordas das marcas "Jóia" - "Pérola" e "FBR"(iniciais de seu nome). Com o falecimento prematuro de meu Pai, em 25 de Janeiro de 1936, minha mãe viúva com apenas 23 anos, continuou com a Empresa até o final da década de 40, quando vendeu-a para as Industrias Giannini, também do ramo e existente até hoje.

Acima: Fac-símile do envelope comercial da
"MANUFATURA DE ARTIGOS MUSICAES"
OSWALDO SANSONE RODRIGUES em 3 de Junho de 2008
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MEU QUERIDO TIO CHICO
Tio Chico (Francisco Sansone) irmão de minha mãe, era o filho caçula, de sete irmãos. Sempre me dedicou muito afeto, principalmente durante minha infância e adolescência. Tenho registrados em minha memória, as imagens e fatos de minha vida, e, entre outros, um especial propiciado pelo meu Tio Chico. Hoje casado com minha querida Elza, há 55 anos, vou narrar uma passagem marcante, onde meu querido Tio Chico se fez presente. Era Dezembro de 1954, tendo marcado a data de meu casamento para 29 de Janeiro de 1955, e, tio Chico residindo em Curitiba, a única maneira de manter contato com ele, naquela época, era através de correspondência via correio. Enviei-lhe meu convite de casamento, com uma carta manifestando minha vontade de contar com a presença dele. Contei na carta que minha família era contra meu casamento, e, que eu havia decidido ir em frente mesmo sozinho, disposto a construir meu próprio futuro, independente da despropositada oposição familiar. Dá para imaginar as dificuldades que tive que superar, pois tinha somente 23 anos e parcos recursos pessoais, e, embora minha família tivesse ótima situação financeira, não contei com o apoio deles, quando tradicionalmente isso é normal nos momentos de início de um novo segmento familiar. No dia de meu casamento, entrando na Igreja a primeira pessoa que vi foi o Tio Chico... ele estava me esperando. Meu abraçou e disse: "Vá em frente, lute pelo seu ideal com eu fiz." colocou um envelope no meu bolso e disse: isto é para você.... foi a última vez que vi meu Tio Chico. No envelope havia uma importância em dinheiro e um bilhete:"Faça uma Lua de Mel mais folgada. Ass. Tio Chico 29/01/1955" Ainda hoje, passados mais de 55 anos, sempre relato essa passagem a meus descendentes.
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LINDO MOMENTO
Vivenciei um lindo momento protagonizado pela minha neta LUIZA. Foi em Outubro de 2008. Estamos todos no apartamento do Oswaldinho/ Fernanda. Conversávamos - Eu o Fernando e a Lú - Avô -Pai e Neta - tres gerações - em pé no meio da sala. . O assunto era amenidades. Num determinado momento, a Lú diz para o pai Fernando, em frase totalmente fora do contexto, porém de extremo amor: "Pai, quando você ficar mais velho, fique igual o Vô". Dá para imaginar como foi prazeiroso para mim. Tanto sentimento de afeto vindo de minha neta caçula.
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VIVÊNCIA E ESPIRITISMO - editado em 5 de Agosto de 2009 -
1. Preâmbulo: Resolvi deixar registrado meu caminho até chegar a prática do espiritismo, pois ela ocorreu naturalmente, e não se trata de conversão pois todos os princípios do cristão espirita já estavam conscientes na minha mente, apenas afloraram. Fui praticante do catolicismo participativo em movimentos da Igreja como "Encontro e Formação de Jovens" - "Encontro de Casais com Cristo" - "Encontro de Noivos" - "Fraternidade Carmelitana" - "Ministro da Eucaristia" - Cursilho de Cristandade". Algo que sempre me incomodou e questionei foi a imposição dos Dogmas e a não aceitação da reencarnação. Há aproximadamente 5 anos passei a frequentar casas espíritas, como a Emaús no Bairro da Aclimação, a Casa do Caminho no Bairro da Vila Clementino. e a pouco mais de um ano, por sugestão de meu filho Fernando, passei a frequentar o Grupo Espirita Cairbar Schutel. Nessa Casa, minha esposa e eu nos identificamos com o grupo das quintas-feiras . e estamos até hoje nos integrando. Foi nessa oportunidade que li e reli o Livro dos Espíritas de Alam Kardec. Independente de contradições existentes entre os relatos, principalmente por serem coletanea de fatos ocorridos em diferentes épocas, com grau de desenvolvimento díspares, pude confirmar que todos os fundamentos espíritas lá contidos já "eram de meu conhecimento". O milagroso disso tudo está no fato: - "eu já sabia". Meditando sobre o assunto, abri minhas janelas do passado, em busca de uma explicação. Vieram a mente fatos ocorridos na longinquoa década de 40, e adiante passo a relatar resumidamente, as passagens mais significativas. Assinalo ainda que todas as vezes que vejo fotos antigas, de antes de 1900, tenho a sensação de que vivi nessa época, sinto como se lá estivesse, que há vida e movimento nessas fotos...
VIVÊNCIA NO ESPIRITISMO - Os fatos que passo a narrar ocorreram entre os anos de 1942 e 1947, portanto entre meus 11 e 16 anos de idade, e durante a segunda guerra mundial. Eu morava na Rua Carlos Steinen, travessa da Rua Abílio Soares, no Bairro do Paraíso. Essa casa não existe mais, hoje é um edifício. Era um palacete de minha avó Concetta Bamonte Sansone viúva de meu avô Nicola Sansone. Residiam com ela: minha mãe Aida Sansone Rodrigues (viúva) minha irmã Eunice, eu, meu tio Cyro Sansone (viúvo), o filho dele, Miguel - recem nascido - cuja mãe Nena (Desdemona Raguza Sansone) morrera recentemente de parto, morava ainda Tio Luiz. Nesse período ocorreram várias reuniões onde eram realizadas sessões espíritas. Foram reuniões onde só participaram os familiares, não havendo presença de convidados. PARTICIPANTES: Os mediuns Jaime Pericás e seu irmão Bernardo Pericás, ambos eram médicos e cunhados de meu tio Francisco Sansone (tio Chico) também médico. Além dos três, cuja participação era muitas vezes alternada, participavam da maioria das reuniões, minha mãe, tio Cyro tio Mario, tio Luiz e eu.(não participavam minha avó que se recolhia cedo, e minha irmã Eunice que era radicalmente contra.
TIPOS DE REUNIÃO: 1.Convocação do Espírito Guia e outros. 2. De Psicografia. 3. Uso de uma cartolina com letras e números em circulo, chamada de Mesa Branca.
LOCAL DAS REUNIÕES: Eram realizadas na sala de música. Essa sala tinha aprox. 4x4m. Havia um piano e respectivo banquinho, uma estante de livros, jogo de poltronas e cadeiras, uma mesa de centro. Numa prateleira de canto havia um "Gramophone".
CONVOCAÇÃO DO ESPÍRITO GUIA. A sala era preparada com as cadeiras e poltronas colocadas em círculo. O médium ficava numa poltrona e os participantes nas demais acomodações. A luz era apagada, ficando somente acesa uma mini-lâmpada vermelha num abajur, e coberto com um pano. Existiam 2 cones de cartolina com aprox, 60 cm e com a ponta vazada. Nos dois extremos dos cones foram pintadas faixas de 1cm de largura, com tinta fosforescente, de forma que eram perfeitamente visíveis no ambiente. O gramophone era ligado e a música era clássica. Era feita uma oração e avocada a presença do Espírito Guia. Após algum tempo, as primeiras manifestações surgiam com os cones voando em círculo na altura de nossas cabeças, sendo o mais notável que cada cone girava num sentido - horário e anti-horário - e a velocidade era alta. Em seguida os cones paravam ficando suspensos no ar, na altura de nossas cabeças. Era por esses cones que o espírito se manifestava, e os presentes escutavam perfeitamente. As manifestações não eram feitas através da fala do médium. Este entrava em sono profundo, sendo audível sua respiração. Os contatos vinham portanto através dos cones e os diálogos eram feitos com todos os presentes. Sempre mensagens de amor ao próximo. O Espírito Guia (como era chamado o mentor) era de um índio brasileiro, não me recordo se um Cacique ou Pagé. Não consigo lembrar o nome. Vinham outros visitantes. Os fenomenos físicos mais notáveis foram: A movimentação dos cones e a materialização do espírito que ocorria em forma de uma aura não muito nítida que aparecia a meia altura e atrás de um dos cones. Outras manifestações notáveis: o piano tocar. Quando isso ocorria, lembro-me que eu ficava sentado no banquinho do piano com os cotovelos em cima da tampa. Não tocava música, apenas notas. Outro fenómeno físico que ocorreu foi a transposição de um objeto (caneta ou lápis). Ele foi deixado em outra sala da casa, também no escuro. e as portas trancadas. Quando a sessão terminou o objeto estava na mesa da sala da reunião. Outros dois fatos que me recordo bem, certa vez, ao terminar a reunião o médium estava com as mãos e pés amarrados com uma corda, cujos nós foram dificeis de desatar. De outra feita, o fato foi invertido, onde o médium foi por nós amarrado no inicio da reunião e ao término ele estava desamarrado. Meu tio Cyro tinha seu interesse voltado para a tentativa de se comunicar com a esposa falecida prematuramente. Seu espirito nunca se manifestou diretamente, mas mandava uma mensagem: Não se case novamente.... Anos mais tarde meu tio casou-se novamente e teve uma vivência muito atribulada e dificil.
2. REUNIÃO DE PSICOGRAFIA - Foram realizadas muitas e na maioria das vezes eram mensagens de amor ao próximo e vivência na caridade. Uma psicografia foi especial e passo a relatar: o médium (não me lembro qual dos dois) ficou sentado na mesa da sala de jantar. Havia luz indireta. Ele teve os olhos vendados. Em sua frente estava um caderno escolar da época e vários lapis. Após a meditação, o médium começou a escrever. A velocidade da escrita era acelerada, bem acima da capacidade humana. A escrita era nítida e acompanhando as pautas. Em determinados momentos, ele retornava as paginas anteriores para alguma correção. Todo esse procedimento foi espantoso, porem muito mais espantoso foi o conteudo do mensagem, e que adinte contarei. Todos os presentes, o médium, meu tio Cyro, minha mãe, tio Chico e eu, desconheciamos os fatos. Tratava-se de uma mensagem dirigida ao meu tio Mario e subscrita pelo espirito de um homem que havia sido noivo de minha tia Nuna (Onofria Raguza Sansone) naquele momento esposa do tio Mario. - A HISTORIA - Tia Nuna havia sido sua noiva e no dia do casamento ele (noivo) que era construtor, sofreu um acidente e caindo de um andaime veio a falecer. Na mensagem além de agradecer ao tio Mario a atenção dada a esposa, enaltecia todas as qualidades e virtudes de minha tia. Houveram muitos outros fatos, mas não consigo lembrar. Nota - Recentemente conversando com um primo, filho do tio Mario soube que há alguns anos minha tia Numa havia falecido com mais de 102 anos.
3. MESA BRANCA - Essas sessões na maioria das vezes não tinham a presença do medium. Era feita uma oração e pediamos a presença de um espirito. Sobre a cartolina aberta na pequena mesa de centro da sala de música, havia um pequeno copo emborcado.Todos os presentes colocavam um dedo sobre o copo. Este se movia de letra em letra formando palavras. Havia tambem na cartolina as palavras sim e não e os números de 0 a 9. um dos presentes ia anotando as letras e formando as palavras. A maioria das mensagens eram de amor ao próximo e frequentemente dizia Cyro não se case novamente...
CONCLUSÃO: Resolvi deixar relatados estes fatos pois sou o único vivo desse grupo que participava das reuniões, e se não o fizesse ficariam perdidos naquele passado remoto, e porque explicam a minha afirmação "(eu já sabia)" Por outro lado, vários descendentes desse grupo estão vivos e espero que tenham a oportunidade de tomar conhecimento deste relato pois fazem parte das raizes de suas origens.
Finalizando, ser cristão espirita ou de qualquer outra denominação, ou religião é muito mais que acreditar ou não no que relatei. Os fatos realmente aconteceram e vieram a tona. O fundamental para o ser humano, e sentir e vivenciar o amor ao próximo e saber que como Criatura de Deus precisamos estar focados em "NOSSO SENTIDO DE VIDA"
São Paulo 5 de agosto de 2009
OSWALDO SANSONE RODRIGUES
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FATO RELEVANTE
Após eu ter editado a texto anterior, sobre Vivência no Espiritismo, o filho de meus Tios Mario/Nuna, o Mario Francisco Sansone, meu primo "Chiquinho", em contato me confirmou que já sabia dos fatos narrados. Detalhou que seus pais contaram a ele e seu irmão Luiz Gonzaga, todas aquelas passagens com os detalhes que mencionei. Ainda que o objeto transposto de uma sala fechada para a sala da reunião era uma correntinha e santinho de ouro, e não uma caneta como e supunha.
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